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Mostrando postagens com o rótulo A Paz dos Domingos

Domingo de Paz #16: Tom

No dia que eu sai de casa avistei Tom, ele era de tom moreno, com aqueles óculos que sempre carregam um ar de canalhice pelo ar. Eu já gostava de Tom sem ao menos notar, os seus trejeitos peculiares faziam meu rosto corar, num tom avermelhado adocicado. Quando suas mãos me tocaram, eu senti meu corpo formigar, e isso fez eu ficar em alerta máximo. Porque antes mesmo de Tom chegar, eu tinha organizado esse templo que é minha vida, construir muros altos para ninguém transpassar. Como se adiantasse, quando Tom chegou deixou algumas coisas pelo chão, era a poeiras dos meus muros. Eu fico com medo dessa gente, que chega se aninhar devagar e sem aviso prévio vai embora, deixando cacos de você pra trás. Essa gente não sabe o que faz. Eu queria que Tom, não fosse embora, não deixasse o caos. Toda vez que eu penso em Tom, em dias de rotinas ou de regras desleais meu corpo esvai, parece uma folha catatonica indo e vindo. O cheiro de Tom é bom , a voz de Tom ecoa parece...

A Paz dos Domingos #15: Entre Logo

Eu quero desenhar no teu corpo um caminho que te faça me encontrar nos seus passeios; assim você pode procurar a sua salvação dentro dos meus olhos que brilham feitos estrelas enquanto eu faço poesia sobre seu sorriso.  Eu tenho uma imensidão. Eu não faço cena, eu sou a cena, e quero apresentá-la a ti enquanto você ainda não foi embora e está hesitante em entrar pela porta.  Eu quero amansar seus demônios e te contar, entre os lençóis emaranhados de nós, da minha melancolia sobre a vida. Pousa aqui, que tudo em ti me apetece!  Eu quero mostrar meu sentimento nobre e vagabundo, e abraçar cada átomo de você.  Eu quero que você inunde minha vida, misture a sua com a minha e, em tons amarelados sobre uma aquarela que temos, vamos colorindo cada parte preta e branca que está assolada.  Eu quero seu barulho e seu silêncio, olhar sobre a sua face e poder recitar poesia e, no clichê mais romântico que temos, rir de nós mesmos.  Eu quero bangun...

A Paz dos Domingos #14

Eis que apareceu um rapaz na minha porta, tirando tudo da casa do lugar, mudou a rotina, os hábitos e acrescentou um pouco do desespero e da alegria. Mudou meus sonhos e os meus pensamentos. Ele também é pesadelo e me fez sonhar acordada. Emprestou-me um pouco dos seus passos vacilantes e embriagados, cheios de exatidão. De soslaio, atirou-me doses dos seus pensamentos tão bonitos. Colocou na minha vida, o rapaz, um pouco da sua bagunça.  Quando fecho a porta para ir embora, tem algo lá fora que chama por minha alma, não pelo meu corpo. Nesse processo de meio de caminho, ao mesmo tempo que o rapaz se vai, ele chama pelo meu nome. Vacilo para ir ao seu encontro, terei que caminhar demais, irei cair, levantar, vai doer mas passará. No fim talvez o encontre. Ou se fico aqui olhando o trajeto e praguejando algo como " Ah não! Porque assim , desse jeito".   Qual a razão de você está aqui? Porque você emanou aquele som atenuado, afinado e equalizado que despertou emoç...

A Paz dos Domingos #13: Seus Muros

Você construiu muros altos em torno de si, mas eu burlo a regra. Eu sou o exceto, quero escalar os seus muros, talvez eu caia uma, duas, três vezes - talvez me machuque, mas criarei mecanismos para enxergar a dor de perto.  De forma abrupta eu vou adiante, em seu muro imposto, todos sendo grandes catástrofes, todos irreais e ilógicos. Você construiu muralhas; dizem que são inquebráveis e intocáveis. Mas eu sou teimosa, tão teimosa que vou adiante. E quero te encontrar logo depois, arrumado com suas blusas que acho dignamente suas, trazendo esse seu cheiro de paz e você lá no meio, colocando cor na vida sem cor, lilaseando uma cena preta, atingindo o meu corpo que já está cansado, mas ávido pelo seu toque particular e peculiar, seu!  Os meus hematomas estão todos às suas vistas, mas prometa-me amá-los! Você é um jogo no qual me viciei e, à medida em que o jogo se aproxima do fim, eu me transformo. Você é misterioso, enigmático, silencioso, restrito e i...

A Paz dos Domingos #12: É Você

É você  Custo acreditar que me apaixonei por você. Logo você! Poxa, Bem, logo você. Não acreditei quando eu te vi na fila do cinema, não pude crer. Você com suas botas, com a camisa em desalinho toda branca. Uma calça semi-passada, com um sorriso de deixar todo o meu corpo tremer.  Poxa, Bem, logo você que leva o mundo nas costas, que alcança notas desleais para deixar minha cabeça tonta e meu corpo intranquilo. Quando você veio, caminhando devagar na minha direção, eu avaliei duas possibilidades. A primeira: vamos nos casar, ter dois filhos e bons cachorros. A segunda: ok, eu encontrei alguém na fila de um cinema, parece Al Paccino e ainda o beijei. História para contar eu tenho.  Quis acreditar na primeira. Eu queria a primeira. E você veio com um sorrio sacana e um ar de "vou transar com você”. Bem, eu tremi. Tremi tanto que tive que me conter. Busquei na bolsa, que está sempre cheia, os cigarros para fumá-los, talvez dois ou três. Por duas hora...

A Paz dos Domingos #11

O jeito que você ajeita os seus cabelos, faz o meu estômago sorrir. E a maneira que você ri de si mesma, deixa o meu pâncreas quente. Mas é quando você sorri que eu saio de órbita! Fico sempre embabacado com as suas reações tão naturais, como o simples jeito que você caminha na minha frente. Leva consigo um ar infantil, acompanhado de uma maturidade sem fim. Eu fico feliz porque você sempre lê a parte dos classificados toda. Não faz sentido nenhum ler essa parte do jornal, mas como é você, tudo bem. Fecho os olhos calmamente e inspiro toda vez em que você vem só com aquela camisa amarela sobre sua pele. Você parece o sol que invade e dá calor ao meu coração. Consegue arrebatar todo o meu ser de uma só de vez. Aos domingos, você traz para casa sempre uma travessa de mousse de maracujá, e é o seu jeito de dormir pós o almoço que me comove. Você não se dá conta, mas a maneira que você está sentada de pernas cruzadas, olhando pro livro de Drummond que você lê, faz meu o coração treme...

A Paz dos Domingos #10

Você veio em dia atípico! Quando o amor era celebrado e atingido. Você veio, tirou a paz dos domingos, os sossegos dos sábados, e, quando eu escuto a sua voz, meu corpo arrebata e desconecta da minha alma, e eu me vejo tão perdida, que a única coisa que eu desejo é ficar em posição fetal e chorar. Você veio, fez meu coração parar de tanta alegria que sinto, você roubou minha pouca organização de rituais que não fazem o menor sentido. Você veio e é você. Com todo alarde, causando toda confusão possível, colocando essa coisa tão inexata sobre a mesa e eu nem sei mexer com isso. Você acaba comigo e me constrói! Isso é tão louco que eu quero apenas gritar. Todas as vezes que você me toca do seu jeito tão peculiar, minha alma fala baixo comigo, não se altera e eu me vejo me refazendo, diante de você, como lagarta vira borboleta! Você desperta o melhor e pior de mim, e eu não sei mesmo o que fazer com isso! Você mudou minha vida, em um tempo recorde, você não era daqui, mas...

A Paz dos Domingos #9

Era uma noite de junho de 2007, o relógio marcava 20:17 e eu me sentia enclausurada dentro de um quarto de hotel, era a quarta vez que eu viajava em apenas um mês a trabalho. Resolvi, por alguma vontade, sair; quando me deparei, me encontrava em um táxi, estava no Rio de Janeiro. Aquele táxi amarelo me levava a algum lugar da cidade. Parei em um shopping conhecido, por sorte tinha vários teatros por ali. Arrisquei-me e procurei por peças teatrais. Tinha dois monólogos, todos os dois falando de amor, um romance e um musical romântico. Logo sobre amor, que eu estava fugindo. Arrisquei um dos monólogos. Na fila, para entrar na sessão encontrei uma moça, que tinha os cabelos pretos e os olhos castanhos, falou-me sobre a desigualdade social, mas eu não estava prestando tanta atenção assim. No teatro, apenas 17 pessoas estavam sentadas na plateia, em plena terça-feira, não sentei na primeira fila, sentei na fila 7, que, por sinal, só tinha um casal, era minha sina. Seguiu um monól...

A Paz dos Domingos #8

Toda vez que Francisco me olhava eu tremia, toda minha tez reclamava e eu me perdia em toda poesia que um dia talvez nós viamos a ser. Não foi somente uma vez, mas umas seis vezes, que ele deflagrava tapas sonoros na minha cara. Eu chorava sempre, um choro contido e agoniado. E apostava, comigo mesmo, uma corrida, mas a única coisa que fazia era ficar calada e parada. Quantas vezes Francisco apenas me olhava, e eu, apavorada, consentia meu silêncio no íntimo. Mas eu queria gritar, gritar comigo principalmente e me dizer coisas horríveis, mas muitas vezes eu quis acreditar que toda aquela situação ia mudar. Mas não ia. Conheci uma mulher dentro de mim, forte talvez. Então, naquela terça feira 9 de dezembro, coloquei o meu vestido preto, no caminho fumei três cigarros, antes de entrar bebi dois copos de café, suspirei, inspirei e expirei e entrei. Disse alto, tão alto que assustou o cara que escrevia o boletim de ocorrência. Ele me disse algo que me fez entender para mudar de ideia,...

A Paz dos Domingos #7

Era fevereiro e a única coisa que eu queria era ir embora! Queria ir embora porque chovia e você não era meu guarda-chuva, queria embora porque você era meu país e eu apenas uma rua. Fui embora enquanto o carnaval corria e você sequer percebeu eu partir. No meio da multidão, deparei-me com nossa banda, Baiana. Eu me emocionei três vezes e depois quis partir. Meu coração já estava alforriado, o sol não queimava mais minha tez. Fui embora porque já era tarde para ficar. O café tinha acabado, e suas piadas não tinham mais a mesma graça. O rélogio tinha parado. Fui embora porque não cabia mais, era muito apertado. E eu gosto de me sentir à vontade. Fui embora porque cansei de me justificar, porque amadureci e percebi que você já não estava lá. Fui embora porque quis, sem o drama das grandes partidas, apanhei a bolsa e o travesseiro e atravessei assim o carnaval. Não quis ficar, não era para ficar. Não me assustou ir embora, era só ir com passos precisos, sem vacilar. Não hesitei, e pa...

A Paz dos Domingos #6

Acreditar na incondicionalidade das coisas precipita seus fins. - Michel Melamed (em Afinal, o que querem as mulheres? ) Confesso, e confesso alto e em bom som eu me apaixono por todo mundo que vejo, não tem jeito. Aos 15 foi pelo meu professor, ele era calmo, educado e baixo, trazia consigo sempre livros nas mãos e sorria um sorriso com a boca toda, putz, aquilo fazia meu coração acelerar. Me apaixonei, era o cara errado, claro, 10 anos mais velho! Mas o louco correspondeu, naquela hora eu não sabia quem estava mais desmiolado, eu por ter me apaixonado, ou ele que correspondeu minha carta, com um sonoro “SIM”. Era uma carta boba, trazia consigo palavras delicadas, cheia de paixão e com uma inocência, eu diria. “Téo, eu queria um dia quem sabe sair com você, para podermos tomar um sorvete e prosear um papo, fico encabulada a cada vez que você retribui com seus olhares, espero uma resposta! Pode deixar a resposta, em qualquer lugar do livro que você vai corrigir, mas que eu ve...

A Paz dos Domingos #5

Na noite passada, algo inesperado aconteceu. Eram 20:45, naquele dia eu tinha ido ao centro da cidade resolver alguns protocolos chatos, coisas do cotidiano que faz você virar a cabeça e ter que respirar 8 vezes para poder se acalmar, porque a atendente, aquela filha da puta, bem na hora que ia me atender, resolveu que era a hora de almoçar. Peguei os cigarros, junto com o fósforo, e acendi o cigarro, fumei 6, dessa maneira eu vou morrer rápido. Fui atendido pela moça do cabelo comprido, e com as unhas por fazer. Saí para ir na casa de um amigo. Júlio é um cara legal, ele sempre tem uma boa dose de rum na sua casa, põe uma dose no seu copo e declama Neruda. Antes de ficar tonto, saio e limpo meus pés no tapete em frente a casa, ele é amarelo e eu tomo muito cuidado para não sujá-lo! Peguei a condução e sentei-me ouvi a mulher da frente reclamar, o cara do lado cochilar e o motorista ria lá na frente com uma moça com silhueta acentuada. Desci, e caminhei até minha rua. Eram 16:55, ...

A Paz dos Domingos #4

Em um pedaço de papel escrevi "Dance Comigo", deixei dentro do seu armário e corri. Era um convite muito sem jeito. Eu a encontrei em uma aula de natação, apareceu com os cabelos desalinhos, amontoados, em um coque desses que só ele fica bonito. Os cabelos eram vermelhos. Trazia consigo uma bolsa a tiracolo, essas que trazem a vida dentro. Nutria, eu, um sentimento por ela, desde a primeira vez que a vi com aquele walkman nos ouvidos, ela sempre cantarolava músicas do The Who. Apaixonei-me primeiro pelos seus cabelos, mesmo que depois de 5 minutos ela pusesse a touca. Nos intervalos das suas braçadas, ela sempre sorria, foi a segunda coisa que eu me apaixonei, o sorriso. As vezes eu ouvia sua gargalhada, aquilo fazia meu corpo vibrar. No fim, quando saía do toalete, voltava sempre com lápis nos olhos. Foi a terceira coisa que eu me apaixonei. Nas poucas despedidas que tínhamos, nossos olhares se encontravam, era difícil me controlar. A quarta ou quinta coisa que eu me ap...

A Paz dos Domingos #3: A Carta que te Liberta

Tom, Você não está mais aqui, mas, mesmo assim, vou deixar uma carta no correio para te mandar coisas aleatórias que não fazem sentido! Acabei de chegar em casa depois de um dia longo de trabalho. Na gaveta vazia que você deixou, enfim eu tive espaço para todos os meus laudos. Acabei de tomar banho, e estou com aquela blusa grande que você vivia falando que eu ficava linda, a tiracolo tenho uma taça de vinho. Não, Tom, não é o nosso vinho. Eu enjoei daquele. Enquanto estou aqui, escrevendo uma carta para você, você deve estar sentado em algum bar com uma porção de amigos que talvez te deteste. Lúcia veio hoje e perguntou por você, dei de ombros, ela me perguntou se eu estava bem, consenti com a cabeça e ela continuou fazendo o que estava, tão concentrada. Não tem seu cheiro por aqui, meu perfume impregnou e volta e meia eu me sinto em casa, aqui. Não existe saudade, nem melancolia, não tem fossas, muito menos calos sobre minhas mãos. Os lugares que estou indo são tota...

A Paz dos Domingos #2

São sete meia e você não voltou, olho na janela toda hora!... Esperando você vir lá de fora, com o pão sempre do lado, com a cara suspeita e um cigarro. Estou de vestido na janela, aquele vestido que te encontrei aquele dia, aquele dia que a gente se beijou.  O café está na panela, esperando o pão que você traz.  Meu coração está acelerado! Esperando você chegar, será que você não vem?  Me olho no espelho pela milésima vez, gosto do reflexo dele, eu converso comigo: — Olha só, não olhe mais pela janela.  Não resisto, corro para ela! É vem você, camisa regata do lado, rosto corado! Todo arrumado. Eu com meu vestido rendado. Meu coração... Meu coração continua acelerado.

A Paz dos Domingos #1

Confesso que amo aquele par de botas que ele põe na antessala e seu casaco sempre muito pesado. Ele tem ar estéreo e seu cheiro é de cigarro. Ele adentra o apartamento, o som que traz consigo são de notas musicais que ninguém conhece, ele muda o tino e o tom amarelado da luz que ilumina a sala. Traz consigo um ar pueril que mexe com todo meu corpo e cá estou eu olhando de longe seu corpo, sua silhueta sempre... imperfeita traz cicatrizes que só eu sou capaz de entender ou até mesmo sentir. Sua tez é avermelhada, já que ele me pegou no flagra: meus olhos descansados sobre ele. De volta me sorrir, um sorriso aluado, desengonçado e cheio de amor. Confesso que amo toda vez que ele faz isso, porque largo de lado toda preguiça que está no meu corpo para me levantar, e ir até onde ele está só para dizer: — Sossega meu amor, eu estou aqui. As luzes se apagam, me vesti de amor bem ali no meio da sala com Lázaro, a sorrir.