O grito saiu antes que a marca avermelhada tingisse o chão do banheiro. A tinta, era do batom de Cátia. O grito, era de Zélia, que em meio ao corre-corre deixou cair o item que havia pedido emprestado à prima querida. O socorro para se produzir numa noite tão especial, veio assim que Zélia se deu conta que tinha esquecido seu estojo de maquiagem em casa. Ao chegar na residência da prima, depois de ter conferido – três minuciosas vezes - o documento, a roupa, o perfume, o celular, os cartões, dinheiro trocado e as chaves, acabou se dando conta dessa desmemória. De súbito, agarrando o lencinho que usou para drenar o suor do rosto, Zélia raspou a ponta do que sobrou do tinteiro labial e em seguida se pintou, pressionou e abriu um riso falso para conferir se o branco dos dentes haviam saído ilesos da operação. Dois toques na porta e um giro na maçaneta apressaram-na ainda mais. Era a prima dizendo que não aguentava mais esperar. Já passavam das nove e trinta. Há uma hora atrás, Jú...