Você
construiu muros altos em torno de si, mas eu burlo a regra. Eu sou o
exceto, quero escalar os seus muros, talvez eu caia uma, duas, três
vezes - talvez me machuque, mas criarei mecanismos para enxergar a
dor de perto.
De
forma abrupta eu vou adiante, em seu muro imposto, todos sendo
grandes catástrofes, todos irreais e ilógicos. Você construiu
muralhas; dizem que são inquebráveis e intocáveis. Mas eu sou
teimosa, tão teimosa que vou adiante. E quero te encontrar logo
depois, arrumado com suas blusas que acho dignamente suas, trazendo
esse seu cheiro de paz e você lá no meio, colocando cor na vida sem
cor, lilaseando uma cena preta, atingindo o meu corpo que já está
cansado, mas ávido pelo seu toque particular e peculiar, seu!
Os
meus hematomas estão todos às suas vistas, mas prometa-me amá-los!
Você é um jogo no qual me viciei e, à medida em que o jogo se
aproxima do fim, eu me transformo. Você é misterioso, enigmático,
silencioso, restrito e isso me faz te querer mais. Louco! Desmonte só
um pouco os seus muros para abrir uma fresta para que, assim, eu
possa te olhar daqui e não desistir. Eu não quero ir sem você.

Eu gostei muito desse texto, ele tem tudo a ver com nossa profissão, inclusive! Estava conversando com uma amiga esses dias sobre o quanto eu e ela nos interessamos só por pessoas que tenham um muro, um labirinto a ser explorado, desbravado, pessoas que tenham caminhos nunca vistos antes por ninguém... Acho que o seu texto foi muito legal e parecido com isso que sentimos :)
ResponderExcluirSim Dani! Atrevo-me a dizer que os muros são chamaris para mim, você e sua amiga!
ExcluirAh, esse lance de ver o paraíso no outro... Eu bem sei. Temos maneiras diferentes de falar disso, mas a essência permanece semelhante.
ResponderExcluirValeu, Pepper.
"Queria que você pudesse se enxergar com meus olhos"... Ah, a nossa inclinação a endeusar o outro, mesmo quando este não se enxerga dessa forma... Imperfeições, muros, humanidades em geral me fazem suspirar. Adorei o texto
ResponderExcluirLua, obrigada pelo retorno sempre cheio de gatilhos de emoção em mim.
ExcluirEsse texto me toca da mesma maneira como toca você. Eu o alcanço, sinto, praguejo, bato o pé, torço os lábios, me emociono - da mesma maneira que você. Sou por ele totalmente empática. Estamos tão juntas nessa, Luli, (e em diversas outras situações-texto) que vivemos parcialmente o conteúdo uma da outra.
ResponderExcluirSigamos, minha irmã!
Minha cara, alma! Esses textos envolve acima de tudo amor e claro nisso somos totalmente empáticas!!!
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