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A Paz dos Domingos #14



Eis que apareceu um rapaz na minha porta, tirando tudo da casa do lugar, mudou a rotina, os hábitos e acrescentou um pouco do desespero e da alegria. Mudou meus sonhos e os meus pensamentos. Ele também é pesadelo e me fez sonhar acordada. Emprestou-me um pouco dos seus passos vacilantes e embriagados, cheios de exatidão. De soslaio, atirou-me doses dos seus pensamentos tão bonitos. Colocou na minha vida, o rapaz, um pouco da sua bagunça. 

Quando fecho a porta para ir embora, tem algo lá fora que chama por minha alma, não pelo meu corpo. Nesse processo de meio de caminho, ao mesmo tempo que o rapaz se vai, ele chama pelo meu nome. Vacilo para ir ao seu encontro, terei que caminhar demais, irei cair, levantar, vai doer mas passará. No fim talvez o encontre. Ou se fico aqui olhando o trajeto e praguejando algo como " Ah não! Porque assim , desse jeito". 

Qual a razão de você está aqui? Porque você emanou aquele som atenuado, afinado e equalizado que despertou emoções em mim. Qual o sentido de tudo isso? Qual a verdade sobre você? Qual a sua história? De onde você veio? Para onde você vai? 

No processo de abstinência de você, me coração deflagra palpitações odiosas e eu tento não pensar, como se pudesse! Sua imagem submerge parecendo meu filme preferido, fecho sorrateiramente meus olhos para não ver, mas meu corpo não obedece e aí seu cheiro vem e é neste momento que eu choro de saudade de você. É esse seu cheiro que deixa meu corpo tonto e ávido. 

O rapaz deixou marcas viscerais aqui. E eu não sei para onde eu vou. Mas seguramente digo: quero ir com você.

Comentários

  1. Muito lindo, o final me arrepiou! "Quero ir com você" (no meu caso, sempre será o que direi seguramente, não importa para onde iremos..)

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