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Mostrando postagens com o rótulo Grito Dominical

GRITO DOMINICAL #7: VEM SER MILITAR!

              Céu cinza, mar sombrio, água batendo forte nas pedras e um ronco ensurdecedor vindo das docas. Sem entrar no mérito da função ou necessidade dos quartéis, aqueles seres discutiam superficialmente sobre o tema gestão de pessoas em ambiente de polícia militar. O contexto era século XXI. A razão estava sentada à beira do rio mais largo que havia naquelas bandas. Era novembro de um ano repleto de acontecimentos estranhos entre os seres humanos, desde campanhas humanitárias a guerras santas e homens-bomba ao redor do mundo. Ao seu lado, ninguém. Ninguém - O que preciso para conhecer a dinâmica e o funcionamento dos quartéis? Razão – Certamente não recomendaria optar por uma breve pesquisa no meio militar. Provavelmente não chegarias à conclusão muito diferente de uma baita sensação de perda de tempo. Ninguém – Sério? Por quê? Razão - Primeiro porque deparar-se-ia com um ambiente onde forças que, em t...

GRITO DOMINICAL #5: SER SARGENTO PRA QUÊ?

            Certo dia o cabo Guedes despediu-se dos camaradas, após árdua jornada. Para azar militar da sentinela, que pensou que pudesse tratar o cabo simplesmente como cabo que era, foi admoestada. Tempos mais tarde, o cabo, que continuava ostentando suas divisas com pouco orgulho e muita arrogância, teve um dedo de prosa com aquele mesmo soldado. “A conversa foi boa...”     O cabo adentrou ao corpo da guarda cuspindo fogo! - Ser sargento pra quê? – esbravejou em altíssimo e bom tom, ao notar que o soldado preenchera uma ficha de inscrição para seu segundo concurso público. Tal foi o grito, o cabo, que tinha dezenas de folhetos de propaganda de filmes nas mãos, só pensava em entreter-se em cinema, numa frustrante tentativa de driblar as angústias do dia a dia na caserna, só não disse “SER SARGENTO PRA QUÊ? (em letras garrafais itálico negrito sublinhado entre aspas) porque a conversa não se deu por escrito. - Ora, sen...

Grito Dominical #4: Verdade Oculta

            Tudo estava escuro. Nenhuma luz acesa. Nenhum som. Nem a respiração forte, quase ofegante, poderia ser percebida. Ninguém! Nada! Nem um pensamento. Nem o relógio na parede parecia trabalhar. Nem um tic-tac. Nenhum cão latindo. Nem um grilo roçando as pernas. Era tarde, muito tarde. Não houve um início daquele instante e o fim de tudo nunca se deixaria mostrar. Vi o mistério manifestar-se em forma de ócio mental. A posição do meu corpo não correspondia com meu pensamento. Minhas pernas que dizem ser grossas e minha bunda que dizem ser grande descansavam dos olhares dos homens tarados que existem em toda parte. Meu batom preferido, o cor-de-rosa, também descansava sobre a escrivaninha no canto do quarto.             O cobertor quente com cheiro de suor e perfume não cobria meu corpo e meu vestido vermelho de dama jogado no chão requisitava seu habitual reche...

GRITO DOMINICAL #3: CASA DE CUPIM

CASA DE CUPIM Rua de barro vermelho tipo massapê, casebre de madeira, família pequena. Essas eram as características mais relevantes que marcaram aqueles acontecimentos. Era época de pouca fartura e as pessoas esforçavam-se para não perder o pouco que conseguiram depois de muito suor. Mas o destino nem sempre pode ser previsto, tudo pode ser feito e desfeito. A vida pode ser um enigma a ser decifrado, um jogo de erros e acertos. Era dezembro. O menino esperou que todos adormecessem, sabia que ninguém aprovaria sua ideia. Ele estava cansado do cheiro de insetos, tinha um olfato altamente aguçado e o odor expelido pelos bichos lhe incomodava deveras. Decisivamente, não poderia contar com a sorte, precisava de sua humilde casinha para descansar depois de árduas horas de labuta na lavoura de cana-de-açúcar. Apesar de ter apenas dez anos de idade, não lhe restou opção senão arriscar a própria vida para acabar com seu sofrimento. Pequeno homem de fé que era, costumava qu...

GRITO DOMINICAL #2: SUZYLENE E A CANOA FURADA

            Do alto ela via o trabalho de busca dos mergulhadores. Câmeras de segurança registravam tudo, enquanto um homem corria atirando para o alto. No interior de um pequeno prédio alugado a polícia investigava um caso de homicídio. Porém, no Porto da Barra banhistas amontoavam-se na minúscula faixa de areia repleta de salteadores em busca de prazer diversão. Naquele instante Suzylene estava trabalhando.             Era uma construção antiga...             O Forte de Santa Maria, onde Suzylene estava trabalhando, uma edificação antiquada, na verdade, fora erguido nos idos de 1614, segundo historiadores. Descrente como sou, eu diria como disse: “segundo historiadores” - eu não estava lá pra ver! Se isso é antigo ou não não sei. E pra ter-se mais ou menos uma ideia relativa da coisa de espaço-tempo, é bo...