Um vazio impossível de descrever. O andar agoniado da menina pelo piso frio do apartamento. Ela consegue ocupar um cômodo diferente a cada mísero segundo. Depois eles se repetem e ela lá, como uma criatura onipresente, em cada cômodo: a cada segundo. E não sabe o que dizer. Não sabe o que escrever. Não pode definir o que é aquilo gritando em seu peito semiadulto . Está cheia e vazia ao mesmo tempo. Está brilhando e escurecendo, indo ao ápice e depois caindo bruscamente como uma estrela expulsa do universo. Ela quer e não quer; está com fome e deseja vomitar. A menina é um autêntico nó que une a ponta de dois extremos. Ela é a dualidade propriamente dita e quando pensa acerca deste fato, se desespera. Depois se acalma – como se uma mão quente e invisível repousasse sobre as suas costelas, dizendo com o tato que vai ficar tudo bem. Depois desespera-se de novo. E o ciclo não se finda. A menina vive a cólica de um parto que jamais termina, onde o bebê nunca nasce – ou ...