Será que vale a pena
A dor poema?
Escrevo e lacrimejo
Sou anjo e desejo
Dualidade à duras penas
Será que vale o nó
Na garganta abafada
A busca suada
O corrimão da escada
Isso tudo não significada nada
Será que a falta de sentido
Não seria eu escondida
Da fé que me espreita
Urgente e insatisfeita
Enquanto, hesitante, duvido
Será que creio ou desisto
Serei Anti ou Cristo
Recato ou circo
Descobrir-se, dói
Estou farta do risco
Será, o quê, esse vazio
Medonho e latente
Feito água corrente
Purulenta e quente
De um profundo rio
Será o emblema, então
Desejar amor ou solidão?
Glória ou abnegação?
Retorno ao mesmo sistema
Vale a pena a dor do poema?

Se es anjo, há penas. Há dor, há amor, há de haver poemas.
ResponderExcluirTorço por isso, pra mim é um vício.
Adorei ! E agora reflito!
A dor do poema me doi, bem latente! Dentro do corpo e fora dele. Me alucino, não nego. Mas sou cética quanto a dor não existir. Me atrevo a dizer até que ela é a paz que tanto almejo. E mais uma vez doi. Dói porque de algum jeito, me sinto viva e voraz. E eu acho que nada mais fazendo sentido se não doer.
ResponderExcluirBluma !!!!!!!! Toda quarta, você me da presentes lindos!
Não sei se vale a pena a dor do poema, mas uma coisa eu sei: o poema não é a dor em si, mas a encarnação textual da dor. Logo, não dá vontade de nenhuma das coisas: sentir e fazer poema. Eu sei bem.
ResponderExcluir"...Se o último verso viesse,
Ah, se ele viesse!
E com correntes se amarrasse
E se atirasse ao mar
Da não-lembrança...
Eu poderia esquecer o que não consigo
- Enquanto todo mundo consegue -
Se o último verso viesse."
Wita