Eu queria poder desenhar em palavras as coisas que eu penso. Acho tão bonito esse pessoal que borda com esmero uma linha de raciocínio. Meus versos ficariam alinhados como as roupas ficam no varal, bem limpinhas e cheirosas. Ou seriam duras e imponentes, como um veredito. As palavras escapam da minha cabeça antes de virarem uma frase de efeito! As letras se desmancham como uma torre de baralhos. Se eu soubesse escrever, eu faria música com minhas ideias, poemas com minhas angústias, cartas para meus amados. Escreveria coisas sobre o além, sobre o sobrenatural, sobre o universo, sobre o prazer de sentir o vento nos cabelos. Eu escreveria minha própria história, inventaria também mil personagens como os do sítio ou dos lustres dos castelos. Se eu soubesse escrever, ao invés de ler mãos, eu escreveria mãos, traçaria destinos, pintaria emoções das cores que eu quisesse. Escreveria artigos científicos com as curas de todas as doenças. Eu iria mandar uma carta desaforada para o pesso...