É você
Custo acreditar que me apaixonei por você. Logo você! Poxa, Bem, logo você. Não acreditei quando eu te vi na fila do cinema, não pude crer. Você com suas botas, com a camisa em desalinho toda branca. Uma calça semi-passada, com um sorriso de deixar todo o meu corpo tremer.
Poxa, Bem, logo você que leva o mundo nas costas, que alcança notas desleais para deixar minha cabeça tonta e meu corpo intranquilo. Quando você veio, caminhando devagar na minha direção, eu avaliei duas possibilidades. A primeira: vamos nos casar, ter dois filhos e bons cachorros. A segunda: ok, eu encontrei alguém na fila de um cinema, parece Al Paccino e ainda o beijei. História para contar eu tenho.
Quis acreditar na primeira. Eu queria a primeira. E você veio com um sorrio sacana e um ar de "vou transar com você”. Bem, eu tremi. Tremi tanto que tive que me conter. Busquei na bolsa, que está sempre cheia, os cigarros para fumá-los, talvez dois ou três. Por duas horas sacanas, você falou a sua vida toda e ali no meio de um cinema, eu simplesmente não acreditei. Vimos três pessoas se beijarem, todas pareciam casadas. Eu sorri, um sorriso que eu nem sabia que eu tinha. Você elogiou os sapatos que ninguém via. Cumprimentei uma moça que acenava para mim. Eu não queria ir até lá para não interromper isso, esse nosso encontro mágico.
Depois das seis, eu já estava trôpega com tanto amor que havia ali. Bem, não queria acreditar que era aquilo. Depois das sete eu já tinha desistido porque as palavras já eram tantas, que a única coisa que eu pensava era em te beijar. E então você veio devagar, sorrateiro, encostou o seu corpo sobre o meu. O filme já tinha acabado e a trilha que estava tocando nos créditos finais era de Elvis. Logo Elvis, Bem! Você sorriu aquele sorriso sacana, tocou a minha face lentamente, se aproximou tão calmo que eu achei que ia morrer ali, de tanto que meu coração acelerou.
Eu senti o seu cheiro, seu hálito, sua tez. E você veio. Poxa, Bem! Você veio. Beijou-me devagar. Segurou o meu rosto e me levou para um outro plano. Eu não pude evitar. Depois de alguns beijos, nos despedimos. Mas eu não queria, Bem, que você tivesse ido. Troquei passos até chegar no carro. Na caminhada até ele, projetei filhos e descobri que teria três com você. Imaginei o nosso apartamento, suas manias, o que você ia beber quando estivesse doente, e que eu cuidaria de você.
Bem, você me anestesiou. Cheguei em casa e liguei para mamãe, que disse que estava tudo bem. Não sei o que você fez. Divaguei e sonhei, sonhos lindos com você. Poxa, Bem! De manhã, quando acordei com o sol que invadia a janela, olhei para o teto daquele quarto e quis te ligar. Mas não precisou, era você no celular, mandando mensagem. Congelei. Li e reli aquele “Bom dia” tantas vezes.
É você, Bem. Eu sei que é. Mas por que agora? Deixo o tempo me dizer e choro não porque dói, mas porque é você. Eu sei. A primeira opção está correta, vamos nos casar, ter filhos lindos e morrer juntos sobre uma cama, deitados e vendo o último entardecer.
É você.

Que beleza de texto Luana! E intensidade de sentimentos.....
ResponderExcluirVou lendo devagar, mas cada vez mais fã desses Se7e 's
Sam, muitíssimo obrigada pelo retorno. É sempre cheio de amor meus textos não tem jeito.
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