Estou me afogando nessa tempestade que você criou e eu, por vontade própria ou engano do desejo, decidi me jogar. Pensei que pularíamos juntos, mas agora estou me afogando nesse mar revolto de aparência serena enquanto você decide se quer ou não se molhar. Socorro.
Veja bem, meu amor, a culpa não é - e jamais será - sua, se eu me afogo nesse mar ou, por noção ou desilusão, aprendo a nadar. Achei que pularíamos juntos, talvez devêssemos ter entrelaçado as mãos -se bem que você nunca gostou disso - e nos jogado juntos, garanto que meu fôlego seria suficiente para que pudéssemos aprender a nadar.
Então você fica aí, sem culpa ou noção, curtindo a brisa calma que as ondas violentas te trazem, enquanto eu me enrolo em tentar aprender a nadar e descobrir se você estará lá quando eu conseguir. Me joguei sem razão, sem consciência, despida de qualquer pensamento que pudesse me ajudar agora, sem a certeza de que estaria ao meu lado. Não está.
Se não estiver ocupado, peço que adiante, decida-se, se não for muito incômodo, talvez queira unir-se a mim, ou meramente estender a mão; sem que fosse necessário muito esforço seu, eu te alcançaria. Te alcançaria em qualquer lugar.
Com seu jeito doce, de aparência segura, com suas palavras de conforto e seus olhos profundos, com o seu brilhantismo, seus sorrisos sutis e todas as suas qualidades, foi criado o mais convidativo oceano. E eu pulei, deixei que as águas me envolvessem e me rodeassem de forma branda, até que já não fosse mais possível respirar ou sequer enxergar a superfície, sem me dar conta de que essa sensação maravilhosa seria o afogamento propriamente dito. Se não tiver jeito e meu corpo for deixado nas margens, poderão dizer, com plena convicção: morreu de amor.
Estou me afogando no mar revolto de aparência serena que é você. Estou me afogando, por vontade própria ou ingenuidade, enquanto você decide ainda se quer ou não se molhar. Socorro.

"sem me dar conta de que essa sensação maravilhosa seria o afogamento propriamente dito." Rapaz, você foi na veia aí! Eu nunca me senti tão representada em relação à estar apaixonada como agora! Mas lembrei da minha profissão também!
ResponderExcluirObrigada, Dani, minha alegria em escrever é sentir e saber que as pessoas se identificam com meus textos!
ExcluirMergulhar ainda é para poucos, muito poucos. Ainda mais no tempo em que a gente vive hoje: de boiar na superfície. De todo o modo, acho que depois do "afogamento", a gente sempre morre mesmo, de certa forma. E aí fica tudo igual aquela música de Arnaldo Antunes (é dele mesmo?):
ResponderExcluir"Socorro!
Eu não estou sentindo nada.
Nem medo, nem calor
Nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir" (...)
Simm, Bluma, nos dias atuais, poucos são os que se aventuram a mergulhar! São tempos difíceis, minha cara...
ExcluirLer isso é um mergulho encantador... muito bom texto, principalmente porque descreve um afogamento racional. É extremamente completo em descrever as razões do não recíproco e o quão profundo é ter esperança quanto à quem não quer unir-se à essas águas.
ResponderExcluirMe deparo com emoções (que já senti) que segam como o retrovisor embaçado do caminho apaixonado onde leva-se tombos bruscos, ou até capotes, que lhe atingem como cocegas.
Realmente, são poucos que decidem mergulhar, ou entrar num carro desses pra tentar seguir igual estrada.
Obrigada! É com extrema gratificação que leio esses comentários, percebendo quantas pessoas se identificam com a parte de mim que se derrama no papel, muito obrigada pelo comentário!
ExcluirSocorro socorro e socorro!! Você descreveu minha vida!!!!
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