À noite, meu coração inquieto palpita, rebelde e inexplicável, dentro do peito. Talvez por excesso de sentimento ou mera falta do que fazer, ansiosamente, me faz indagar questões que já nem fazem parte da minha realidade.
Ah, coração inquieto, poderia me deixar em paz, só por essa noite? Temo receber uma resposta negativa, ao mesmo tempo em que mais pensamentos vêm a tona, motivados pela agitação desse coração esquizofrênico, que imagina coisas que sequer aconteceram, que imagina coisas que chegaram a acontecer, mas os pobres olhos se recusaram ou até não puderam ver.
Se eu queria que você tivesse uma bola de cristal? Ah, sim, claro que queria, ou alguma forma de ler mentes, assim, quem sabe, poderia me responder perguntas que, de tão egoístas, tão possessivas, a boca se recusa a fazer. Não culpe a mim, culpe ao meu inquieto coração, ele, que de tanto amor ou tanta agitação, ou mera falta do que fazer, atormenta-me durante a noite com imagens que não quero ver, palavras que não quero ouvir e faz, as vezes por segundos, as vezes por horas, com que eu te odeie, baseado em meras especulações.
Ah, coração inquieto e agitado, peço, por favor, que acalme-se para que possamos dormir, apenas essa noite, sem a aflição tão traiçoeira, tão presente nos corações apaixonados. Por que o meu?
Acordo de manhã, ainda com resquícios da aflição da noite anterior e com visíveis olheiras consequentes da noite mal dormida. Mando uma mensagem não à causa da minha aflição - esta se encontra dentro de mim -, mas ao objeto dela, em busca de qualquer tipo de carinho ou acalanto que possa curar a doentia ansiedade que mora dentro de mim. Recebo. O amor, especialmente o recíproco tem lá suas belezas, devo admitir. Chego, por um segundo, a pensar que terei uma noite em paz. As luzes vão se apagando e o meu pequeno e frágil coração começa, inicialmente tímido, a sua agitação de todas as noites, me fazendo chorar, pensar, amar, odiar, tudo menos dormir.
"É", penso, "mais uma longa noite para os corações apaixonados".

Eu me vi nesse texto! Nossa! Me identifiquei demais... Parabéns, você está cada vez mais profunda e precisa em seus textos!
ResponderExcluirConcordo com Dani, seus textos estão ganhando dimensões ainda mais fantásticas, Luana. Você entende tão bem de determinadas rotinas - do desenrolar das sensações. Sejam elas do cotidiano, das paixões, do amor em decadência, das aflições ou madrugadas insones. Quem nunca passou por uma ou vários situações dessas? Me identifiquei, também. Identificação é a palavra!
ResponderExcluirComo fazer o primo ficar sentimental by Luana
ResponderExcluirMas tirando a brincadeira.... Tá muito bom mesmo, Lua ❤