Há rostos por toda a parte. Há pessoas mecanizadas pela pressa, indo e vindo através das esquinas com seus sapatos estão chocando-se sobre a calçada quente e úmida. Suas expressões faciais amenas, neutralizadas pela exposição pública, pela maquiagem em torno dos olhos, pelo batom sobre os lábios, pelos óculos escuros.
Há histórias por trás de cada uma dessas pessoas. Há humanidade. Fria ou calorosa, mas há. Algo como uma realidade individual, caótica, repleta de sentimentos vibrando livremente a despeito de toda a máscara usada no dia-a-dia. De todo o artifício para parecer normal. De todo o personagem inventado. Há euforia e crises reais. Há abismos internos e serenidade. Há sonhos e ausências, lacunas, excessos, faltas. Mas, sobretudo, há amor. Escapando por todos os poros dos corpos, pulsante e imune aos disfarces. Há amor.
Contaminando todos os atos, movimentando todos os propósitos. Há amor.
Atemporal, coexistindo em passados e presentes, flutuando através dos espaços de tempo como energia etérea, desencarnada. Ou simplesmente como o inverso: sendo amor carnal. Amor terreno e mundano. O amor é plural.
É por dentes e sorrisos que se ama. É também por cotovelos e nucas, por seios e essência, por caráter e familiaridade. É amor quando frases piegas têm beleza, quando há graça até em piadas falidas ou quando viver por si só já não basta. É amor porque há olhares pausados e respiração curta. Porque há urgência e desespero ou suavidade cálida. Ou porque enxerga-se fora de si o oposto necessário (ou o igual necessário). Pouco importa. É amor, finalmente, porque não há porquês. E todas as razões desfalecem. E toda a lógica perde o sentido. E todos os rótulos, e todos os gêneros. É amor simplesmente porque a boca ficou muda e só restou o sentimento: amplo, pleno, ocupando o espaço de vírgulas e palavras banais. Unindo silenciosamente multidões desconhecidas por um elo único: amor.
Apenas amor.
"Tudo é amor. Inclusive o ódio, que julgamos ser a antítese do amor, é apenas o amor que adoeceu gravemente."
ResponderExcluirChico Xavier