Um casal se olha durante um Concerto no Teatro Castro Alves. O som da Orquestra embala o ódio e o desejo dos dois. Victória foi traída. Seu namorado esteve com outra mulher. E essa mulher estava ali, tocando violino para o casal, sem ao menos saber que eles eram plateia. Não houve baixaria - os dois eram muito arrogantes para discussões vulgares. Quase não conversaram. Nem era necessário. Sabiam o que era aquele encontro. Ambos estavam muito elegantes: ela, de blusa social preta e batom vermelho-sangue; ele, também de preto, fez a barba e colocou o melhor perfume. Mas a acidez estava ali presente, quando Victória obrigava Adam a sentir o peso de sua traição ao assistir aquela apresentação ao seu lado. Ela queria achar nos olhos dele uma justificativa para o ocorrido, ao mesmo tempo que estar tão perto da rival era excitante. Lembrou do que leu na semana anterior, algo escrito por Adam numa conversa virtual entre ele e a mulher: "Quero repetir" - ele disse à violinista, ainda por cima. Então agora estavam ali os três. Victória iria até as últimas consequências de seu ato. Os olhos dele a acusavam: Victória já se interessara por outros homens, e de certa forma já havia alimentado esperanças aos desavisados. Que moral ela tinha? Os olhos dela retribuíam sua mensagem: Mas ele havia quebrado o pacto. Era imperdoável. Eles se olhavam com ódio. Mas eram atraentes demais um ao outro. A música era forte. Estar ali era tão libertador quanto ser enforcado. E era o que acontecia. Eles perdiam o ar quando estavam juntos. Desviaram o olhar. Estavam tão assustadoramente conectados que faziam de tudo para manterem certa distância emocional um do outro. Sem romantizar a traição - os dois eram lobos. Victória era tão sádica que sentia prazer ao imaginar os dois a traindo. Adam era tão sádico que era capaz de exigir detalhes de um outro caso que ela já tivera. O cheiro dela era tão lascivo, que eles já estariam nus, se não fosse aquele teatro (nos dois sentidos). A pele dele era tão magnética, que ela já se controlava para continuar sua punição. Foram embora sem que ninguém os visse quando o concerto acabou. Tudo estava como deveria estar.
Não havia vítima, a não ser a pobre violinista.

Maravilhoso!
ResponderExcluirQue sadismo, hein?! Sadismo com classe.
+ masoquismo hahaha
ResponderExcluirEu sinto cheiro qdo ela passa o teu sorriso encanta tua boca me chama teus olhos me atraem sinto ansiedade em toca-lá em sentir teus bjs e poder abraca-lá mas me retraiu ao lado da resposta negativa do não é pq dizer sim ao sentimento tão lindo e puro q sinto...é o relato fa vida q vejo hj em mim...
ResponderExcluirDe-tirar-o-fôlego! Excelente, amiga!
ResponderExcluirEu favoritei esse texto ! Porque ele é de tirar o fôlego demais !!!!!!
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