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A Paz dos Domingos #6


Acreditar na incondicionalidade das coisas precipita seus fins.
- Michel Melamed (em Afinal, o que querem as mulheres?)

Confesso, e confesso alto e em bom som eu me apaixono por todo mundo que vejo, não tem jeito. Aos 15 foi pelo meu professor, ele era calmo, educado e baixo, trazia consigo sempre livros nas mãos e sorria um sorriso com a boca toda, putz, aquilo fazia meu coração acelerar. Me apaixonei, era o cara errado, claro, 10 anos mais velho! Mas o louco correspondeu, naquela hora eu não sabia quem estava mais desmiolado, eu por ter me apaixonado, ou ele que correspondeu minha carta, com um sonoro “SIM”. Era uma carta boba, trazia consigo palavras delicadas, cheia de paixão e com uma inocência, eu diria. “Téo, eu queria um dia quem sabe sair com você, para podermos tomar um sorvete e prosear um papo, fico encabulada a cada vez que você retribui com seus olhares, espero uma resposta! Pode deixar a resposta, em qualquer lugar do livro que você vai corrigir, mas que eu veja. Entenderei se for não. Mas caso for sim, obrigada!”. Doce, bobo e revelador sobre minha alma. Depois de algumas semanas, saímos; não fomos à sorveteria, Téo me convidou para um jantar, eu com 15 anos, sentada em um restaurante, com Téo do outro lado da cadeira – que ele mesmo puxou para eu sentar. Conversamos, rimos e calmamente o beijo veio no final da noite quando ele parou o carro na frente da minha casa. Achei que ia durar para sempre. Não durou. Depois de Téo, veio Gilmar, Paulo, Roberto e Saulo e com todos eles eu achei por 10 minutos que ia durar para sempre; não durou. Todas as vezes que eles partiam, meu coração partia junto, eu me afogava nas lembranças e relia mil vezes cartas muitas vezes correspondidas. Lá pros 25, resolvi dar um tempo e fazer o que todo mundo diz para você antes dos 30: se conhecer. E então eu descobri, tragicamente depois, não foi com o autoconhecimento, foi após um término doloroso sem fim. Que eu sempre acreditei na incondicionalidade do amor, que só ele bastava, que você aguenta tudo em nome do amor. Mas não, não, o amor não é incondicional ou para sempre. Eles acabam, e tudo bem acabar. Para isso existe mais um milhão de gente para se apaixonar. Então, quando eu comecei a amar outra vez, percebi que um grande amor é possível para que ele caiba de novo, outra vez na impossibilidade de acabar.

Comentários

  1. Que final poético. Parabéns! <3

    "...Perigo é eu me esconder em você..."
    Rodrigo Amarante.

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  2. "O nosso amor, a gente inventa pra se distrair. E quando acaba, a gente pensa que ele nunca existiu". (Cazuza)

    Me identifiquei principalmente porque vi uma versão - antiga - de mim por aí, nessa mania de se apaixonar. Nostalgia boa!

    Parabéns, Luana! :)

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    Respostas
    1. Pessoas que são viciadas em se apaixonar!
      Mas obrigada mesmo Bluma ! :)

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