Na noite passada, algo inesperado aconteceu. Eram 20:45, naquele dia eu tinha ido ao centro da cidade resolver alguns protocolos chatos, coisas do cotidiano que faz você virar a cabeça e ter que respirar 8 vezes para poder se acalmar, porque a atendente, aquela filha da puta, bem na hora que ia me atender, resolveu que era a hora de almoçar. Peguei os cigarros, junto com o fósforo, e acendi o cigarro, fumei 6, dessa maneira eu vou morrer rápido. Fui atendido pela moça do cabelo comprido, e com as unhas por fazer. Saí para ir na casa de um amigo. Júlio é um cara legal, ele sempre tem uma boa dose de rum na sua casa, põe uma dose no seu copo e declama Neruda. Antes de ficar tonto, saio e limpo meus pés no tapete em frente a casa, ele é amarelo e eu tomo muito cuidado para não sujá-lo! Peguei a condução e sentei-me ouvi a mulher da frente reclamar, o cara do lado cochilar e o motorista ria lá na frente com uma moça com silhueta acentuada. Desci, e caminhei até minha rua. Eram 16:55, o sol começou a adormecer, quando entrei na minha rua eu ouvi o cachorro de Dona Joana latir, Lúcia, a vizinha do seu Carlos, sempre nessa hora põe a cadeira do lado de fora, Seu Carlos sai com o gato que sempre volta para casa. O cheiro do pão invade a rua, Dona Rosa debruça na janela e o pai do Lúcio começa a beber. A tarde cai com aquela cor alaranjada, a cigarra começa a cantar e todos os meninos vão jogar bola, no campo no final da rua. Entro em casa, com um saco de pão, claro ! O café e a rosca que eu sou viciado. Tomo um banho gelado, boto o samba canção, ligo a vitrola e é Rita Lee que toca, coou o café e deito sobre o sofá. Fiodór me acompanha nas suas páginas. E ali no meio da sala, o vento entra na janela. O jogo acabou, Seu Carlos entrou, o cachorro parou, o gato voltou para casa e o pai de Lúcio já está bêbado. O breu adentra o pequeno apartamento. São 20:45 e é a hora, alguém bateu na porta. É Helena, com um vestido vermelho. Ah, Helena, é você! Por essa eu não esperava. Custo acreditar, olho para sua tez preta, com seu gingado imaculado. Puts, Helena, você me arrebenta! Você veio! Deixo Fiódor de lado, já não me importo com o tamanho do apartamento, ou por onde anda o gato, se coei o café, se arrumei o quarto. Não importa, Helena! Porque você, você veio!
Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam [Clarice Lispector]. 1 A chaleira apitou, tirando Daniela de um devaneio. As mãos, vestidas em luvas de cozinha, ergueram um envelope de 114 x 162 mm. O vapor atingiu o fecho. Vinte segundos depois, com toda a cautela possível, uma pequena lâmina foi passada por baixo da aba do envelope, partindo o lacre amolecido. — Voilà ! — disse, retirando a carta. Salvador, Bahia, 5 de maio de 1993. Elsa, Será que jamais percebeu minha indiferença pelos seus sentimentos e aflições? Imagino que tenha contratado um detetive (que deve ter sido caro) para descobrir minha localização e enviar aquela carta patética. Nela você diz que ficou doente e só minha presença poderia te acalmar ou te salvar. Pelo amor de Deus, Elsa, és louca de fato ou está ensaiando para entrar num sanatório? Eu voltar? Acorde! Jamais gostei de você. Fiquei ao seu lado por simples interesse. Suas amigas bem que tentaram te avisar, mas voc...

=)
ResponderExcluirObrigada Witalo ! Vindo de você é mais que um obrigada!
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