Um dia, eu tive que tirar sangue. Não era nada demais, era um daqueles exames de rotina, sabe? Mas, no auge da minha posse de consciência infantil, o medo tomou conta de mim. Sofri por vários dias anteriores ao exame, quase sentia a dor da enorme agulha dilacerando minha pele apenas ao ...pensar no dia que se aproximava, no inevitável, na fatalidade que se acometeria sobre mim. E então chegou o tal temido dia, após tanta aflição, tanta ansiedade carregada no meu ser. Suava frio no consultório, imaginando o que estaria por vir. O olhar frio da técnica enfermeira só piorava a situação. "Será que essa monstra não tem pena de mim? Será que não tem ideia do sofrimento que está me causando?" pensei, odiando-a no instante em que a vi. E então chegou o momento. Após limpar meu braço trêmulo, ela enfiou a agulha no meu braço e, em poucos segundos, colheu meu sangue e pôs um curativo onde foi furado. Não doeu nem metade do que eu esperava. Fiquei fascinada com a velocidade em que a dor que me atormentara por dias passou. E é assim até hoje, com exames, acidentes e decepções. De certo modo, fascinam-me pela dor que provocam e pela rapidez com que a mesma some depois de cumprir o seu propósito.
P.S: A dor precisa ser sentida.

Sofrer por antecipação,
ResponderExcluirCom juros
E correção.
=)