Esse é o terceiro texto lamentoso da noite. Minha caneta segue num ritmo frenético, machucando o papel – quase escuto seus gemidos – e a minha mente não para. Um chá seria uma boa ideia, quem sabe até um café, meu cansaço mental já me torna imune à cafeína.
Já chorei desoladamente, já escrevi poesia, já xinguei os deuses, já esbravejei como um animal e já tentei ficar calado, tentando uma espécie de resiliência. Nenhuma dessas ações me ajudou a entender, ou a superar. Escuto sua voz pausada, calma, tentando explicar pela milésima vez o que meus ouvidos não querem compreender: com todos os seus mais nobres motivos, você está a me deixar, e nada do que eu diga ou faça poderá mudar essa realidade. Dou passos confusos, perdidos, até cegos no quarto que parece cada vez menor. Sinto vontade de correr, correr e gritar pelas ruas, talvez pelado. A imagem da cena me faz rir, me distrai por um segundo do doce mel dos seus olhos.
Alimento a minha tristeza com frases tristes, com lembranças de filmes e com a ideia de que o universo conspira contra mim – Sim, eu estou egoísta a ponto de pensar que o universo todo perderia o seu tempo conspirando contra uma única pessoa, que por acaso sou eu – mas nada é tão doloroso quanto as lembranças perfeitas, dos momentos perfeitos, com a pessoa perfeita. O papel acaba, amasso-o, jogo fora e sigo para outro. Quando foi que comecei a ficar tão criativo? Ah, o sofrimento. Graças a ele, já é madrugada e estou no terceiro texto da noite. Meu bem, pelo que você me faz sentir, eu poderia virar escritor, quem sabe quantos livros essa tristeza me faria escrever?
P.S: Trocaria todos os livros e toda a inspiração para te ter de novo.

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