Conheci o Jack há uns dois anos, enquanto passava por uma fase tão difícil na minha vida que chega dói lembrar. Tudo estava de cabeça para baixo, e então Ele apareceu. Na primeira conversa, já estava arrancando risos meus que até me assustavam, de tanto tempo que não ouvia. Meus dias passaram a ser em função dos nossos encontros, minhas tristezas eram amenizadas pelo pensamento de que, uma hora, ele iria aparecer, mesmo sem avisar, e arrancar de mim risadas e sentimentos que, há muito, eu não via.
E começou a ficar obsessivo. Eu imaginava conversas, o via em todos os lugares e em todas as pessoas. Me agarrei a ele de uma forma que os dias já não eram felizes pelo fato de que ia encontrá-lo alguma hora, eram basicamente uma tortura. Roía as unhas, arrancava os cabelos, embrulhava o estômago, tudo por que não estava em sua presença. Eu precisava dele comigo, a todo e qualquer instante, pois já não sabia lidar com o mundo exterior. As pessoas ao meu redor não entendiam, mas sabiam que algo estava errado, me recomendavam buscar ajuda psicológica. Somente eu sabia do que precisava: Jack.
E então Ele mesmo, que dizia sempre estar comigo, para tudo o que viesse a acontecer, começou a dar sinais de afastamento, dizer que precisava ajudar outras pessoas e que era demasiado egoísmo meu querer segurá-lo só para mim. Jack era como o vento: pode senti-lo, mas jamais poderá segurá-lo. Mas eu queria ele nas minhas mãos, só para mim. Foi quando cheguei ao fundo do poço: Jack foi embora, largando-me com uma realidade mais bagunçada do que antes de chegar, fazendo com que eu tivesse que lidar com os problemas que só cresceram desde que ele surgiu.
Vivendo um dia após o outro e pedindo ajuda a qualquer força natural ou sobrenatural, eu fui seguindo um dia após o outro. Lidar com a ansiedade provocada por sua partida me fez uma pessoa consideravelmente mais forte do que eu era antes de conhecê-lo. Aos poucos, a pessoa que eu costumava ser deu lugar a uma nova pessoa. Essa nova pessoa, incrivelmente, conseguia ver alegria até numa gota de chuva e agradecia todos os dias pelo simples fato de existir. Confesso que me lembrei dele por tê-lo visto essa manhã. Estava na estação de ônibus, perdida em meus pensamentos, quando o vi passar por mim, dizer apenas “Oi, tudo bem? ”, e seguir sua viagem, mesmo sem a minha resposta. Agora, eu agradeço a entrada Dele na minha vida e digo que o amo incondicionalmente, não por ter entrado, mas por ter partido. Foi a melhor coisa que poderia fazer por mim.

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