Desejo ardentemente transcrever nestas linhas a minha angústia, emplacar o desconhecido, desfigurar a beleza translúcida daqueles olhos. Oh, sei que não posso fugir, essa busca incessante me devora, nem que eu bebesse toda a água deste cálice jamais poderia saciar a minha sede. Ouço gritos, olho para os lados e não vejo de onde eles vêm, mas de certo, eu sei sua origem, tais gritos vêm das profundezas do inferno, das almas que esperam ansiosas o meu julgamento. Devo eu ocultar os fatos ou dormir em sono profundo até que tudo desapareça? De certo, a morte talvez fosse a melhor saída, porém, sou um verme covarde, já pensei em mil maneiras, mas não tenho talento para o suicídio, prefiro ficar, mesmo que eu tenha que pagar pelo meu crime. Fecho os olhos e vejo os acontecimentos daquela noite como em um filme preto e branco, com as imagens desfiguradas, apenas aqueles olhos azuis estão nítidos nas imagens. Sei, meu caro leitor, que preciso ser mais clara, entre...