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Grito Dominical #1: No Cinema com Walter Benjamin - Um Conto Contemporâneo


VEJA QUE DESPERDÍCIO

Benjamin esperou que todos os lugares da sala estivessem ocupados.
Esperou que todas as luzes fossem apagadas. Certificou-se que do lado de fora ninguém mais importunava aquela nossa velha conhecida funcionária que já não suportava as desculpas sem nexo dos sempre retardatários na bilheteria. Ao tempo
em que os ruídos iam diminuindo, instalava-se um clima de meio-termo entre ser propício para ver um filme e ser melhor fechar os olhos para não ver coisas do além.
A escuridão, que aos poucos tomava conta da sala, contribuia para dar ainda mais uma característica um tanto assombrosa àquele cenário. Eu estava impaciente com sua demora. Ele pretendia gozar ao máximo daquela experiência, em seus mínimos detalhes e, por isso, pretendia não ser incomodado quando degustasse ao seu
modo aquilo que – soube disso mais tarde - via como um “espetáculo” digno de retoques.
De lá da última fila, na cômda e última cadeira, naquele acento quase
encrustado na parede fria e empueirada, estava eu, tímido, temeroso e ao mesmo tempo ansioso e feliz com aquela dádiva: ir ao cinema com Walter Benjamin. Um sonho? Em alguns momentos pareceu-me mais um pesadelo daqueles de onde a
gente parece que não vai acordar. Trajando uma bermuda quadriculada, uma camiseta com estampa de bloco de carnaval que fazia de mim uma verdadeira etiqueta ambulante e nos pés uma sandália Havianas “da moda”, senti um vento brando e frio que vinha não sei de onde e arrepiei-me da cabeça à ponta dos pés.
Não seria um filme de terror, mas, naqueles instantes sentia como se estivesse vivendo uma situção similar. De repente, um clarão, que acho que ninguém mais viu.
Não percebi reação alheia alguma. Aquele clarão tornava transparente e quase invisível a porta perto de mim. Gozozo, vi a entrada triunfal de meu companheiro.
Ele vestia-se como Charles Chaplin: um paletó preto ou verde musgo, gravata borboleta, calça folgada ao centro e mais estreita próximo aos pés. Trazia consigo, debaixo do braço direito, uma bengala que de imediato não parecia ter utilidade.
Debaixo do braço esquerdo um espesso livro de capa preta. Espremido entre mim e
o telespectador vizinho, que distraía-se com uma minúscula tela em suas mãos. Era possível perceber que ele via cenas do filme que esperava passar no telão. Meu amigo improvisou um banquinho com sua bengala e livro, sentando-se nele e, tendo equilibrado-se, não sei como, girava sobre ele 360° observando cada detalhe daquela sala. Nos primeiros minutos seguintes a esse comportamento inesperado,
ficou imóvel enquanto a película ia sendo desprendida do rolo. Depois iniciou-seuma espécie de comunicação telepática comigo e Benjamin:
- Caro amigo Valmir, perdoe-me a sinceridade, mas é essa a obra de arte que fizestes tão flagrante questão de apreciar comigo? Sinceramente! Esse vosso conceito sobre arte deixa mesmo a desejar.
Eu fiquei dividido entre prestar atenção ao filme e “conversar” com ele.
- Perdão, Benjamin, mas, sinceramente, não entendi o que você quis dizer
com isso?
A essa altura a sala mais parecia uma sala de aula de um curso de
Comunicação Social: muitos faziam algazarra. Aquela vozeria tornava para ele ainda mais desinteressante o encontro. O ambiente ainda mais longínquo da realidade
conhecida pelo meu “parceiro²”.
- Ora, ora, ora! Não percebes que isso está longe de poder ser considerado
como uma obra de arte digna de nossa adimiração? Entendestes ou, como dizemvocês no século XX, quer que eu desenhe?
Olhei para ele. Usando o truque de ver pelo canto dos olhos, voltei
freneticamente o olhar para os vizinhos adimirados, para ter certeza de que eles não teriam ouvido aquelas palavras de desaprovação. Seria uma decepção para os que
deliciavam-se com perceptível “comportamento infantil” (ficando felizes ao ver seus esforços de prever as cenas subsequentes serem “premiados”).
É, amigo, aqui as coisas são assim: um ri, todos riem-se, mesmo sem saber
de que. Ele avolumou-se como uma bolha de boracha sendo inflada. Fiquei entre apaziguador e apavorado. Era mesmo esquisito seu modo de estar.
- Caramba! Quanta decepção!
- Pensei que fosse encontrar uma obra verddeiramente de arte. Mas isso é o
fim!
Eu tentei mudar um pouco o clima de tensão, mas “o tiro saiu pela culatra”.
- Não amigo, não é o fim. Estamos nas cenas iniciais.
- Meu nobre, de uma vez por todas, detenha-se um pouco no que estás a ver, contemple, sinta, respire o que se passa à tua frente. Talvez entenda o meu ponto de vista.
Naquele instante eu já não estava tão preocupado com os demais presentes.
Conseguia até concentrar-me na “conversa” sem perder de vista as cenas do filme, que, para mim, estavam ficando ineressantes. Por alguns minutos Benjamin
silenciou-se.
- E então, está gostando?
- De que mesmo eu poderia gostar? Dessa infinidade de truques que insistes em chamar de efeitos especias? Das inserções de cenas que lembram-me o tempo todo e quase obrigam-me sobre o que devo comer, beber, vestir e de que forma devo comportar-me? Ou seria a brilhante idéia do diretor em tentar transformar atores norte-americanos de sua época em contemporaneos meus? Vejo uma inexitosa tentativa de imitar os alemães!
Após aquela crítica desconcertante, um grito ensurdecedor tomou conta da sala: CHEGA! Ouviam-se gritos de pavor. Eu não soube ao certo se o barulho veio da cena do filme ou da boca de Benjamin. Fiquei apavorado, tenso.
- Ah, Valmir... – e agarrou-me pelos braços – e esse beijo na boca... Não que eu não goste de mulher, mas essa cena não me é familiar. Acho até desnecessária para o contexto. Bastaria que contassem a história. Vejo uma banalização do
elemento sexual.
- Amigo, foi só um “selinho”!
- Selinho? Não, não vi isso. Não vejo carteiros, muito menos selos.
Francamente!
- Eu posso explicar.
- Não quero que explique-se, mas almejo que justifique-se. Que tem a ver beijo na boca com o contexto?
- É simples. O estilo de Bryan Singer é esse mesmo. Ele usa cenas sensuais
para apimentar. Entendeu?
- Entendi, mas não gosto disso.
- Pois é, meu caro, como dizem, “gosto não se discute”. E como você mesmo
costuma dizer em nossas conversas sobre arte, o estilo muda. Talvez eu também julgasse ser muito chato um filme de tua época.
Ele olhou pra mim, fixamente. Fiquei inquieto, temendo sua reação àquela
minha saída acadêmica e discreta.
- Concordo plenamente com vossa brilhante observação, mas vamos ao filme!
Novamente nos detemos por alguns minutos nas cenas.
- Veja como esse tal Bryan Singer muda repentinamente entre uma cena apimentada para uma cena totalmente desconexa. Passa uma cena de beijo, colorida, para logo em seguida passar cenas de guerra e em preto e branco.
- É para não ficar entediante.
- Prefiro uma mentira verdadeira a uma verdade mentirosa.
- Como?
- Desculpe-me. Quis dizer que nesse filme o campo racional está em patamar privilegiado. Em arte isso beira o inadimissível.
Ele levantou-se discretamente. Retirou de dentro do livro um bilhete de cinema e pôs em meu colo. Aquele pedaço de papel velho estava frio e amarelado.
Como o meu estado de espírito, que estava frio de mêdo e amarelo de fome de saber.
- Fiques com isso. Se puderes, compareça. O filme será exibido na data que está escrita no verso. Verás uma obra-prima. Certamente concordarás que estou certo. Reconhecerás um primoroso estilo de mestre, ou então de nada terá adiantado nossas conversas sobre estilos de artistas.
- Certamente estarei lá! Mas... Diga-me, amigo, se estamos assistindo a um filme de minha época, por qual motivo insistes em fazer comparações com os filmes
de tua época?
- Quanto mais esquecido de si mesmo está quem escuta, tanto mais fundo se grava nele a coisa escutada.
Levei alguns segundos para entender aquela parábola. Perdi até algumas
cenas do filme, tão grande é o meu respeito e consideração por Benjamin.
- Esses atores que representam judeus trazem lembranças amargas. Não que
parecam com um judeu, mas a cena em si serve a algum propósito. E um
sentimento de pertencimento se agiganta em mim. Uma mistura de fúria e nostalgia.
- Tenhas calma, amigo. Tenhas calma! Nem tudo está perdido.
Essas palavras soaram mal para ele.
- Caramba! Como nem tudo está perdido? É o meu mundo que está sendo tragado por esse gigante que vocês chamam de inovação, globalização,
departamentalização e outras nomenclaturas que complicam ainda mais a navegabilidade nessa teia de aranha que chamastes de rede. Viram o que fizeram com o seriado? Inovaram tanto que, não tendo mais o que inovar, inventaram agoraos tais reprises sem sentido amplo. Às vezes acresce um título à obra. – Lebrei do Programa de televisão chamado Vale a Pena ver de Novo -. É mesmo falta de imaginação! Mas... concentremo-nos no filme, afinal de nada adantaria ficarmos aqui conversando. E, como crítico que sou, preciso deter-me nessa coisa que denominas obra de arte.
- Tudo bem, Benjamin, tudo bem!
- Ah, tem mais, não consigo aceitar isso como cinema arte. No máximo seria cinema literatura. Mas, voltemos ao filme. Minha estrutura cultural não permitiria mesmo outro posicionaento.
Aquela experiência estava mesmo sendo fantástica. Superando minhas
expectativas. Uma verdadeira aula. Via um de meus filmes prediletos pela segunda
vez e acompanhado de um dos mais renomados pensadores que a Europa já teve.
Pena que a relação dele com a obra – uma grande dose de decepção - não
favorecia a estética, como eu poderia prever.
- Permita-me lembrar-te: Se existe um discurso autorizado que diz que isso é arte, então isso é arte.
- Novamente concordo contigo, tão nobre amigo. Mas responda-me então: E se fosse você assisntindo ao fim de tudo o que ajudastes a construir?
- Do que falas?
- Falo dessas mudanças fundadas no desejo exorbitante de ganhar dinheiro.
Falo desse cruel viés capitalista com que estão tratando as obras de arte. Não poupam nem o cinema. Bem diziam meus contemporâneos que o cinema é o germe de uma transformação do conceito de arte. E eu acrescento: essas mudanças não só terão o efeito de transformação de conceito, mas certamente, num futuro não muito distante, trarão consequencias danosas para o bem estar das pessoas.
Transformação? Sinceramente, não sei aonde chegaremos com isso.
No meio da conversa, esqueci-me que estava em uma sala de cinema e,
gostando da crítica ao capitalismo, gritei: ZORRA! Você está certo!
- Cala a boca, tabaréu! Cala a boca, otário!
Algumas pessoas (mal educadas) me admoestaram grosseiramente.
- Viu só? Entregue-se à experiência. Será melhor, disse.
- Vi.
Passados alguns minutos, voltamos a dialogar.
- Veja que desperdício. Sou convidado para ver como as novas técnicas
reproduzem mal uma história. O teatro já deu-me melhores oportunidades.
Nisso, Benjamin levanta, rápido e assombroso vôa, como um fantasma, em direção à tela e gruda-se nela.
- Saia dai! - Gritei – Volte aqui!
As vaias agora foram multiplicadas. Ele voltou e sentou-se novamente em seu banquinho. Um sujeito esquisito prostou-se diante de mim com uma lanterna na mão, fazendo gestos para que eu ficasse calado. Eu fiquei imóvel, tentando disfarçar, mas o sujeito permaneceu próximo a mim até o final do filme.
- Não te importes com essas pessoas deselegantes, caro amigo. O mais
interessante é que estamos aqui porque queremos e gostamos. Estamos pondo nossas teorias e nossas diferenças em pratos limpos.
- Obrigado.
- Não achas algo estranho nesse filme?
- O que, exatamete?
- As imagens parecem querer imitar a fotografia. Não raro ficam estáticas
como uma fotografia.
- Isso tambem é proviniente da reprodutibilidade técnica. Esse rolo de filme deve ter sido copiado mil vezes, por isso perde-se qualidade.
- Santo Deus! Imagine então essa coisa exibida nessas telinhas minúsculas
que você usa no bolso. Um desperdício ainda maior.
- Ah, o telefone celular é indispensável nos dias de hoje.
- Sei! Como aquele refirgerante adocicado que nos faz expelir gases pela boca, como se fôssemos rinocerontes. Francamete... É o fim do mundo.
- Não exageres!
- Exagero? – Ele ficou imóvel, olhando no fundo dos meus olhos, como quem
escolhia as melhores palavras - Achas mesmo que uma obra desprovida de suaaura possa ser chamda de arte?... – esbravejou ele.
- Sim. Arte menor, talvez.
- Não. Arte menor é outra coisa. Uma arte menor não precisaria de tão
sofisticada tecnologia para existir. Um bom artesão traria um resultado mais brilhante, levando-se em conta os meios de que dispõe para produzir o objeto.
Nesse caso, não só a técnica seria privilegiada. A aura do artista estaria ali, imponente, indecifrável.
O barulho das latinhas de refrigerante sendo abertas, o cheiro enjoativo da
pipoca processada em aparelho de mico-ondas, as falas de alguns telespectadores que riam de quase tudo – leitores de primeiro nível -, contribuiam para que aquela experiência desagradasse meu companheiro. A permanente previsibilidade das cenas deixava-no entristecido, apavorado com a minúscula criatividade que testemunhava. Sentia-se de fato deslocado de seu mundo. Quase descartado.
- Não vejo só aspectos negativos. A riqueza de detalhes possibilitada pelas novas mídias é realmente louvável. Espero que entendas que a minha crítica é mais direcionada para o aspecto singular da experiência oriunda de uma obra de arte que deve conservar sua aura. Panela que muitos mexem termina queimando, como dizem por aqui. Ao menos há um ganho social: agora muito mais pessoas terão relativo acesso a obras que antes lhes era negado. E multiplicação das telas
também tem seu lado positivo.
Novamente ouve-se um estrondo. É a cena onde subentende-se que houve a morte do ditador alemão. Um silêncio toma conta do ambiente.
- Percebestes, caro amigo? Nós também nos entretemos de vez em quado na obra de arte.
- Que nada! Foi só um segundo de silêncio, nada mais. – Ele sorriu, como quem felicitava-se com a atitude alheia e completou: esse sentimento admirativo que se deixa flagrar nesses pobres leitores é uma piada. Desaprovo esse percurso dos novos artistas. Esses que deixam-se levar pelas transações mercadológicas a qualquer custo não merecem minha admiração, lamento.
A cena em que um militar anucia a suposta morte de Adolph Ritler desenhou na face dele um sorriso. Apesar de serum crítico esmerado, sua individualidade não deixou de ser mostrada. Percebi o quanto um simples filme pode ser uma fonte de prazer cultural inimaginável, ainda que não passe de mera fantasia.
Na cena em que aparece um retrado gigante do ditador Adolph Hitler, nova reação. Ele retoma o tom da conversa e comenta academicamente:
- Veja naquele rosto desumano, o último resquício da aura!
- Vejo. Entendo. Lamento.
- Assim como esse diretor, com suas necessidades técnicas, estilhaça e mata os atores, sinto vontade de portar uma matralhadora israelita e estilhaçar a cara daquele maldito nazista.
- Mas como, ele já está morto!
- É uma pena que eu não possa matá-lo novamente... – disse, respirando tão profundo que ouvi o som que saia de suas narinas.
Percebi que entregou-se tanto à experiência que pareceu incorporar o ator que representava um dos oficiais responsáveis pelo plano contra o nazismo. Ele chegou a afirmar que sonhava com uma Europa livre e uma Alemanha mais justa com seu povo.
- Ufa! Quanta imaginação... caro mestre!
- Querido, pordoe-me, sou emotivo, mas não esqueçamos que essa minha
reação é decorrente daquela necessidade que temos de nos determos no objeto artístico, com menor velocidade.
- Ora, vejo que agora, no finalzinho, consideras esse filme como uma obra de arte.
- Não necessariamente!
As lâmpadas iluminaram novamente a sala, enquanto outras pessoas
esperavam ansiosas as próximas sessões. E, quando os créditos eram exibidos, procurei Benjamin, mas ele havia simplesmente desaparecido. Homens e mulheres espremiam-se na estreita porta de saída. Nenhum comentário. Nenhuma fisionomia de gozo ou arrependimento. Faces sem expressão. A diversão havia acabado.

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